domingo, abril 23, 2006

Falar de Abril

Falar de Abril é continuar a luta , o sonho.
Falar de Abril é pintar os dias com as cores da solidariedade, da vitória, do amor. Falar de Abril é falar do sonho, da esperança, da ilusão, do azul do céu, do cinzento das águas turvas em manhãs de nevoeiro.
Falar de Abril é lembrar os tanques,os soldados, as espingardas, os cravos vermelhos.
Falar de Abril é ouvir as canções, é ler os poetas
Falar de Abril é recordar sem saudosismos, a esperança de uma madrugada, onde pela calada da noite, se tentava derrubar um regime velho, caduco, corrupto que conduzia este país, o meu país, à miséria, à vergonha, ao isolamento.
Falar de Abril é falar do 25 de Abril, das “portas que Abril abriu”, como cantava Ary dos Santos.
Falar de Abril, trinta e dois anos depois é dizer que este país não aprende, não tem memória, não reconhece os erros e não sabe ou não quer evoluir.
Falar de Abril é afirmar que o sonho e a esperança continuam, porque as maiores conquistas, Liberdade e Democracia se mantêm, mas a estabilidade económica, o desemprego, as desigualdades sociais continuam a marcar os dias impedindo que o sonho se concretize, que as conquistas se realizem.
Falar de Abril é querer desenvolvimento, progresso, igualdade, qualidade de vida.
Falar de Abril é continuar a lutar por uma sociedade mais justa, mais igualitária onde todos tenham acesso a uma vida condigna, à saúde, à educação.
Falar de Abril é ter memória.

Falar de Abril é viver o ideal , é construir uma sociedade melhor.
Por tudo isto, é urgente continuar a Falar de Abril


publicado in Gazeta do Tejo,18 de Abril 2006

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